
Imagem: Pepe Alfonso
Da atenção como diferença
A expressão “todos os tempos ao mesmo tempo” é de Lisa Nelson (EUA) e traduz uma prática-pensamento compartilhada com Daniel Lepkoff (EUA): a composição em tempo real. Que ressoa, ainda, com a filosofia de Bergson: a experiência da duração como sendo a de um presente coetâneo ao seu passado e futuro. E o meu presente, aquilo que recomeça a todo instante, diz Bergson, é a consciência de meu corpo.
Os dois artistas de dança contemporânea têm em comum, além de outros processos de criação, o exercício constante da atenção, de uma awareness, que difere de consciousness. Lisa fala de uma coreografia da atenção (coreografic awareness) para dizer de sua busca, noção que também tem muito a ver com o trabalho de Daniel.
Lisa Nelson e Daniel Lepkoff estiveram em Belo Horizonte, conversaram com outros artistas e interessados, ministraram uma oficina e abriram para o público de convidados uma performance em tempo real, compondo juntamente com os participantes da oficina. A vinda foi um convite de Dudude Hermann, que inaugurou seu novo estúdio nos arredores da cidade, em Casa Branca. Um espaço bem planejado, inserido numa bela paisagem, dedicado aos estudos e pesquisas na área da dança. Leia mais…
Composição, Dança Contemporânea, Improvisação, Performance
Daniel Lepkoff, Dudude Hermmann, Lisa Nelson

Imagem de Guto Muniz
O que esperamos de cada ato poético, se não isso: refazer os caminhos do sentido e dos sentidos? O Cara Preta, espetáculo da Maldita Cia de Investigação Teatral (Belo Horizonte), obra em processo que realiza uma pesquisa de encenação e dramaturgia em interação com a concretude dos espaços, reinventa o teatro ao fazer teatro. Não falo de um teatro-modelo. E não há nenhum exagero nessa afirmação. Cada obra é singular no modo como resolve o embate das forças que atuam sobre ela.
Há uma impregnação do sentido em O Cara Preta. Sim, o sentido no lugar da significação. Essa impregnância ocorre em todos os elementos da encenação. O que é isso? Leia mais…
Composição
Dramaturgia colaborativa, Maldita Cia, Materialidade cênica, O Cara Preta

Robert Morris and Carolee Schneemann performing Site at Stage 73, Surplus Dance Theater, New York, 1964. Photo by Peter Moore.
Composição X Interpretação
Chamo de estudos compositivos a pesquisa em criação cênica e corporal na qual a ênfase recai sobre o caráter de exercício e experimentação. É necessário conceber tal plano, no qual cada fase do ato criativo possui autonomia suficiente, de modo que criadores e público possam interagir numa espécie de “ensaio” infinito, ou working in progress.
Na cena contemporânea são muitos os procedimentos que se desenvolvem como estudos de composição, um termo oriundo da música. O plano compositivo vem substituir a noção de interpretação teatral, que supõe uma obra já realizada anteriormente (o texto dramático) e para a qual caberia o trabalho de um intérprete, normalmente guiado por um diretor. Leia mais…
Composição, Dança Contemporânea, Improvisação
estudos compositivos, Judson Dance Theater, Robert Dunn, Viewpoints