Os diálogos físicos: um exercício em improvisação e composição

'Extraordinary' by f.a.b. - The Detonators Photography by Toby Farrow www.tobyfarrowphotography.com

 

Fisicalidade

Os diálogos físicos poderiam ser também chamados de diálogos corporais. Chamo de “físicos” porque há toda uma ênfase na fisicalidade das trocas, dos contatos e contágios estabelecidos entre os participantes desses “diálogos”. O termo ainda coloca-nos diante – e dentro – daquilo que está emergindo no nosso espaço de atuação, envolvendo a qualidade de nossa atenção, nossos impulsos e relacionamento com o outro, o espaço e o tempo.

No caso da prática-pensamento em tela, estamos no âmbito do chamado Teatro Físico. E que pode ser visto nas perspectivas de um teatro performativo ou pós-dramático. Os diálogos físicos colocam toda sua carga naquilo que Lúcia Romano, na obra dedicada ao Teatro Físico, chama de corpo manifesto e materialidade cênica. Trata-se também de um teatro de fluxos pulsionais, para utilizar um termo de Patrice Pavis. E que se inspira na idéia de uma “arte de não interpretar como poesia corpórea do ator”, conforme desenvolvido por Renato Ferracini, no livro homônimo. Continue lendo “Os diálogos físicos: um exercício em improvisação e composição”