
Maestria
No Pirex, novo espetáculo do Grupo Armatrux (Belo Horizonte) e Eid Ribeiro (direção), povoa o palco de figuras e sombras, buscando um humor mórbido, num teatro sem falas. Mas o que me chama a atenção, além da competência do Armatrux e da “carpintaria” teatral de Eid (aliás, um termo que andou meio desaparecido), é a questão desses actantes-máscaras, segundo o estudo de Matteo Bonfitto (O ator compositor). E, por conseguinte, como o ator configura esse universo. Interessa, sobretudo, lançar um breve olhar sobre a compreensão do teatro e do ator sobre a qual Eid Ribeiro trabalha, ao recortar essas figuras e sombras. Leia mais…
Geral Armatrux, Eid Ribeiro

Amores Surdos. Foto de João Marcos Rosa
Algumas histórias
O grupo Espanca realizou um debate sobre os rumos e linhas de sua atuação (outubro 2009), quando comemorava cinco anos de criação cênica. A avaliação, da qual tive a honra de fazer parte juntamente com outros convidados, foi uma das últimas ações do Projeto Espanca à Mostra, constando de apresentação da trilogia de Por Elise, Amores Surdos e Congresso Internacional do Medo.
Um ato de generosidade e de coragem, este de se expor a uma avaliação por parte de um público mais próximo, por um vínculo ou outro, às trajetórias dos artistas que compõem o coletivo desde o início de sua formação (Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro). Exponho, aqui, apenas as questões que apresentei nessa conversa com o grupo e convidados. Leia mais…
Geral, Teatro experimental Grupo Espanca, Novas dramaturgias, Teatro experimental

Fotografia de Muybridge (1804-1906)
Vez por outra estamos às voltas com a definição do que vem a ser uma performance. No Festival de Performance de Belo Horizonte (1a edição: 2009), o tema foi assunto de discussão. Desde a Manifestação Internacional de Performance (que teve neste ano sua 2a edição), passando pelos diversos eventos e projetos (como a Zona de Ocupação Cultural, o Cabaré Voltaire, a ação Arte Expandida, provocadas pelas forças que se somaram a este que voz escreve), para não falar das inúmeras presenças de artistas e conjuntos que re(in)sistem nesse plano de criação, ocorre uma proliferação de desejos performáticos. O que é Performance hoje? Este, o título do debate (1). Faço a seguir algumas anotações: Leia mais…
Geral, Performance, Zonas de Experimentação [ZnEx] Experimentação, Performance Art

Imagem de Teresa Marinho
Proibido deitar: este é o título da intervenção urbana produzida pelo Grupo de Teatro O Clube, cujo mote é a expressão homônima inscrita nos bancos do Parque Municipal de Belo Horizonte. O elenco performador tem as presenças de Patrícia Siqueira, Daniel Toledo, Isaias Campara, Regina Ganz e Carolina Rosa. A direção é de Rita Clemente.
Por que chamar este tipo de trabalho de intervenção urbana? Em primeiro lugar, porque difere, pelo menos em princípio, do teatro em espaços abertos e do teatro de rua. Alguns outros nomes são utilizados para definir as performances que interagem diretamente com os espaços, como site specific e environmental theater. Cada um desses termos carrega suas conexões, vínculos, percepções, contextos etc. Leia mais…
Intervenção urbana, Teatro pós-dramático e performativo O Clube, Rita Clemente

A arte do ator e os caminhos trilhados por Grotowski: assim posso resumir o tema recorrente nos encontros com Tatiana Motta Lima (atriz, doutora em artes cênicas, professora da Uni-Rio). Logo no primeiro encontro, quando ela conversava com o grupo de formandos dos alunos e alunas do Curso Técnico de Formação do Ator, da Fundação Clóvis Salgado (Belo Horizonte), dirigidos por Cristiano Peixoto, pude perceber a importância e a singularidade das colocações de Tatiana sobre a arte do ator, inspiradas em Grotowski. E sublinho a sua habilidade em ouvir o outro e, junto com seus interlocutores, instaurar isso que é uma arte do encontro. Leia mais…
Formação, Geral Formação, Grotowski, Partitura, Tatiana Motta Lima

Imagem de Guto Muniz
O que esperamos de cada ato poético, se não isso: refazer os caminhos do sentido e dos sentidos? O Cara Preta, espetáculo da Maldita Cia de Investigação Teatral (Belo Horizonte), obra em processo que realiza uma pesquisa de encenação e dramaturgia em interação com a concretude dos espaços, reinventa o teatro ao fazer teatro. Não falo de um teatro-modelo. E não há nenhum exagero nessa afirmação. Cada obra é singular no modo como resolve o embate das forças que atuam sobre ela.
Há uma impregnação do sentido em O Cara Preta. Sim, o sentido no lugar da significação. Essa impregnância ocorre em todos os elementos da encenação. O que é isso? Leia mais…
Composição Dramaturgia colaborativa, Maldita Cia, Materialidade cênica, O Cara Preta

Robert Morris and Carolee Schneemann performing Site at Stage 73, Surplus Dance Theater, New York, 1964. Photo by Peter Moore.
Composição X Interpretação
Chamo de estudos compositivos a pesquisa em criação cênica e corporal na qual a ênfase recai sobre o caráter de exercício e experimentação. É necessário conceber tal plano, no qual cada fase do ato criativo possui autonomia suficiente, de modo que criadores e público possam interagir numa espécie de “ensaio” infinito, ou working in progress.
Na cena contemporânea são muitos os procedimentos que se desenvolvem como estudos de composição, um termo oriundo da música. O plano compositivo vem substituir a noção de interpretação teatral, que supõe uma obra já realizada anteriormente (o texto dramático) e para a qual caberia o trabalho de um intérprete, normalmente guiado por um diretor. Leia mais…
Composição, Dança Contemporânea, Improvisação estudos compositivos, Judson Dance Theater, Robert Dunn, Viewpoints
A realidade do nível mais baixo

Origem: http://www.zwoje-scrolls.com/zwoje20/text12p.htm
Tadeusz Kantor, um artista de happenings, esculturas, desenhos, imagens e teatro, publicou inúmeros manifestos poéticos que se tornaram, por sua vez, outras criações. Não são espelhamentos ou identidades entre textos e performances, mas um jogo de afecções mútuas. Tomemos uma definição do próprio Kantor para seu teatro: a realidade do nível mais baixo. Uma expressão emblemática de sua arte, que pode ser melhor compreendida a partir de três questões de fundo:
a) a crítica da ilusão teatral (e do teatro-representação);
b) a arte moderna, a abstração e o desaparecimento do objeto e da figura humana;
c) a crítica de Gordon Graig, um dos renovadores do teatro, que considerava inferior a arte do ator vigente na sua época, por estar presa à emotividade. Diferente de outras artes (música, artes plásticas) , a matéria da interpretação teatral consistiria na própria existência pessoal do artista, sujeita ao movimento das paixões e, portanto, sem as definições ascendentes da beleza que se igualaria à precisão. Na sua visão, o ator deveria ser uma supermarionete.
Kantor responderá a esse contexto justamente com a realidade do nível mais baixo. Vejamos: Leia mais…
Teatro pós-dramático e performativo Polônia, Tadeusz Kantor